A triste situação do rio Buriticupu Das nascentes à foz
Isaías Neres Aguiar
Rio Buriticupu, dois principais tipos de pessoas devem cuidar de você, com muito mais dedicação, uns que moram no teu caminho e outros que apesar de não morarem tão perto tem o poder de te ajudar.

Ao longo desse tempo fizeram de tudo. Cortaram, venderam, trocaram e queimaram pedaços do teu cobertor em vários lugares, e assim, teus peixes e outras criaturas que habitam em ti não resistem ao calor.
As situações degradantes estão à tua esquerda e tua direita. Se de um lado não se encontram mais o Buriti, nem tampouco o cupu que medrava de suas matas. Por outro lado, percebe-se que nem mesmo o Bom Jesus conseguiu manter suas selvas. Dando lugar ao alimento dos bovinos ou das siderúrgicas.
Nem mesmo no teu berço tens tido tranqüilidade para viver em paz. Nem os silvícolas que estão há tanto tempo contigo e que inclusive te deram esse nome, têm tido o devido carinho com o teu cobertor.

Para construção de edificações, retiram materiais do teu piso, onde tu corres deslizante até a foz. Rio Buriticupu o teu piso e tuas paredes são arrancados com máquinas motorizadas coordenadas por outras máquinas egoístas e mercantilistas ao extremo, que agem pela força do imediatismo.
Nota-se também que ao te alimentar, os teus braços não estão mais com a mesma força de outrora. A quantidade e qualidade de alimento oferecido pelas fontes que formam os teus braços estão comprometidas.
Outras criaturas atípicas e alheias a tua vontade estão morando dentro de ti, em casinhas improvisadas, enquanto engorda para serem vendidas.
Vários tipos de resíduos sólidos têm sido despejados sobre você, e mesmo tentando se desviar não consegue se livrar da impureza e do odor miserável que o leva consigo.

Sem quase sair do lugar encontramos aqueles que querem economizar uns trocadinhos e deixar seus veículos limpinhos colocando-os pra lavar e deixar substâncias químicas dentro de ti.
Como se não bastasse, basta olhar em direção a passagem de concreto que liga os municípios banhados por ti, e verás o mais recente absurdo: boa parte do material de aterro utilizado na recuperação da BR 222 está sendo levado para tuas águas e te sufocando. Querendo enterrar-te vivo.

Rio Buriticupu mantenha a viva esperança. O teu clamor foi ouvido pelo Instituto Federal do Maranhão, pelo Ministério Público e por outros parceiros. Saiba que a tua situação ainda tem jeito, e que algo já está sendo feito em favor de sua recuperação e preservação.
Professor Isaias Neres Aguiar – Estudante de Biologia no IFMA, campus Buriticupu
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comment 1 komentar
more_vertEh o professor de Biologia Isaias Neres aguiar, tem todas às razões prévitas do rio buriticupú, esse rio é o unico que corta a região e realmente estar precisando de zelo e cuidados para sua presevação não deixem por esquecido.
Delete 23 de julho de 2012 às 15:33